O Google realiza um exame público para websites — chama-se PageSpeed Insights, e qualquer pessoa pode testar qualquer site, gratuitamente. O exame é deliberadamente severo: simula um telemóvel económico (um Moto G Power) numa rede 4G lenta — o pior cenário realista, alguém com cobertura instável em movimento. Avalia quatro aspetos: velocidade, acessibilidade (se pessoas com deficiência conseguem usar o site), boas práticas e SEO. Cada um em 100.
Esta manhã, às 07:40, fizemos o exame. Eis os números exatos.
Velocidade 90 em 100. Acessibilidade 98. Boas práticas 100. SEO 100. A primeira letra apareceu no ecrã ao fim de 2,9 segundos.
Noventa conta como «excelente» — grande parte da web vive bem abaixo dessa linha. Mas o relatório do Google continha uma observação específica, avaliada em nada menos que 2 segundos de desperdício: as fontes.
Como a maioria dos websites no mundo, carregávamos as nossas fontes a partir dos servidores do Google. Parece inofensivo — até se ver a partir de um telemóvel numa rede lenta: antes de desenhar uma única letra, o navegador tem de fazer duas viagens extra a endereços estrangeiros — apresentar-se, pedir a lista de fontes, esperar pela resposta e depois obter os próprios ficheiros. Cada viagem numa rede lenta custa tempo. Total: cerca de dois segundos de ecrã em branco.
A ironia: o nosso site é rápido. Zero milissegundos de bloqueio, nada salta enquanto carrega. Estávamos simplesmente à espera… que a cozinha de outra pessoa entregasse as nossas letras.
A correção é simples de contar: as fontes agora vivem connosco. Mas fizemo-lo com precisão:
Pelo caminho, adicionámos um sinal invisível no código — «o conteúdo principal começa aqui» — que os leitores de ecrã para visitantes cegos usam para navegar. Uma coisa pequena; era exatamente o que mantinha a acessibilidade em 98.
Às 08:26 — quarenta e seis minutos após o primeiro exame — testámos novamente. O resultado: velocidade 100, acessibilidade 100, boas práticas 100, SEO 100. Primeira letra: 1,5 segundos em vez de 2,9 — quase duas vezes mais rápido, no mesmo telemóvel lento e na mesma rede lenta. Bloqueio: zero milissegundos. Deslocamento de layout: 0,009 — a olho nu, «nada se mexe».
E na nova categoria do Google — Agentic Browsing, que verifica quão legível é um site para agentes de IA — nota máxima, 2 em 2. A classificação ainda é experimental, mas levamo-la a sério: como contámos no artigo anterior, os visitantes de IA são hóspedes queridos nossos.
Exame às 07:40 → diagnóstico a partir do relatório → fontes trazidas para casa → o sinal invisível → implementação → novo exame às 08:26 → 100/100/100/100. Quarenta e seis minutos durante os quais o site nunca deixou de funcionar, nem por um instante.
Duas coisas. Primeiro, se tem um website — teste-o: pagespeed.web.dev, é gratuito e demora um minuto. Os números que verá são os mesmos que o Google vê ao decidir a quem mostrar primeiro.
Segundo — e mais importante: a velocidade de reação não é sorte, é uma forma de trabalhar. De manhã tínhamos uma observação do Google; antes do meio-dia tínhamos uma pontuação perfeita. Todos os projetos que nos contar recebem o mesmo ritmo — veja por si mesmo: diga ao agente ali ao canto a sua ideia.